Mais um daqueles momentos de ficar de boca aberta... Jake Shimabukuro não deixa de surpreender com as suas adaptações para ukulele. Tempos atrás, surgiu com o "While my guitar gently weeps" (G. Harrison), que fez sucesso por cá.
Encontrei esta há pouco, que aproveito para partilhar aqui.
Após uns tempos de inactividade, venho colocar mais um artigo nesta montra virtual. Ainda sem Acordo Ortográfico.
As violas de arame constituem a família de cordofones mais numerosa em Portugal. De Norte a Sul e ilhas encontramos espécimes, cada um deles com os seus aspectos característicos.
Quero mostrar aqui o trabalho de uma pessoa que já tive o privilégio de conhecer em 2008 no Funchal.
Rafael Carvalho tem vindo a mostrar os sons da Viola da Terra doa Açores de uma forma que em nada desvaloriza este instrumento. Interessantes, as adaptações de músicas tão distintas, como é o caso da sazonal "Noite Feliz", um Chorinho Brasileiro, um Estudo, de Tarrega, entre outros.
Bem haja pelo trabalho que tem sido feito por este instrumento açoriano.
Aproveito para deixar no ar uma questão, que tem que ver com o espelho inserido na cabeça do instrumento. Tomei como informação duas funções para este: para que o tocador se aprume, antes de começar a tocar; e para fazer reflexo - desde que tenha luz para tal - a alguém que queira chamar à atenção - uma rapariga, quem sabe...
Longe de mim imaginar aqui há anos atrás, quando comecei a ouvir esta música na minha juventude, que estaria hoje a tocá-la com alunos meus, num palco, com machetes.
Nesse tempo, estávamos todos formatados que os machetes serviam para tocar apenas música tradicional.
Recordo-me de quando o Professor Ricardo Agrela, nos idos anos 90, apareceu na sala com uma música estrangeira, que nos fez dar voltas aos dedos, para tocá-la - The Enterteiner, de Scott Joplin. Foi, que me lembre, a primeira "aventura", tanto para nós então alunos, como para ele. Ainda hoje ele fala de como foi criticado por isso (...entre outras coisas mais). A verdade é que foi o início de um processo de quebrar preconceitos e cegueira cultural acerca da prática destes instrumento. O caminho foi-se percorrendo, e creio que ainda muito passos estão por vir...
Este momento aconteceu na Audição Musical do GCEA, a 20 de Novembro de 2010, no Auditório da RDP Madeira, que contou também com a participação de um aluno da classe do meu colega Pedro Temtem, a quem agradeço desde já.
The Final Countdown - Europe (1986)
Adaptação: Guilherme Órfão
(da direita para a esquerda): Eduardo Câmara - braguinha Jorge Natividade - ukulele Marco Nunes - bateria Guilherme Órfão - viola de arame Roberto Moritz - viola baixo
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
"I Congresso Regional de Educação Artística – Artes em Debate" organizado pelo G.C.E.A.- Madeira, e que terá lugar entre os dias 14 e 15 de Setembro, o "Quinteto Drumond de Vasconcelos" (Mónica Monteiro, soprano; Joana Amorim, flauta traversa; Roberto Moritz e Vítor Filipe, machetes; Manuel Morais, viola e direcção), realizará um concerto no dia 14, pelas 17:45h na Escola Horácio Bento Gouveia (antiga Escola da Cruz de Carvalho), Funchal.
Estreia mundial do Quinteto Drumond de Vasconcelos, a 12 de Junho de 2010, no TeatroMunicipal - XXXI Festival de Música da Madeira
(foto: Rui Camacho)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Quero mostrar aqui um trabalho que vem sido elaborado pelo meu amigo Roberto Moniz, com uma nova geração de tocadores de machetes. É de seguir de perto esta boa prática. Bem-haja aos novos tocadores e ao seu mestre. Desfrutem!
É já na próxima semana que o grupo Xarabanda viaja até terras açorianas, para participar no festival Maia Folk, organização dos Amigos da Maia, na Ilha de Santa Maria.
Desde já sinto enorme interesse em visitar mais uma ilha deste arquipélago: será a quarta, depois de já ter estado na Terceira (passe o gracejo), São Miguel e São Jorge. De todas as vezes, para mostrar música insular. Cada vez mais é um pretexto para me sentir em casa, com os machetes na mão.
Se permitem, uma nota final, enquanto participante em já alguns festivais deste género (e de outros também).
A última vez que aconteceu foi precisamente no Calheta Folk (São Jorge Açores) em Julho de 2008. É sempre saudável quando acontecem reencontros de pessoas já conhecidas, que apenas se encontram nestas situações (especial abraço aos Roncos do Diabo). E também o contacto com novas pessoas. Acredito que é disto que vivemos. Encontros e reencontros. Só tenho pena que não sejam mais frequentes. E que por vezes não sejam proporcionados nas poucas oportunidades que temos. Aqui e em qualquer lugar.
(Nota musical: esta mensagem foi composta a ouvir os grupos acima citados. Oiçam, pois vale a pena!)
Apresento-vos uma peça que criei há algum tempo atrás, no ido ano de 2005.
[Isto hoje em dia parece que o tempo passa tão depressa...será apenas da idade? ou também das rotinas que vivemos?]
Resolvi escrever para machete (braguinha) e viola de arame, mas deixo ao critério de cada um de vós adaptar para os instrumentos que tiverem disponíveis, criando sonoridades com que se identifiquem, aproveitando as linhas e cifra escritas.
Esta peça pretende remeter aos sons e ambientes musicais de séculos anteriores, quando o tempo parecia ter mais tempo...
Agradeço a quem desta música fizer uso, que cite a autoria.
Para amanhã, teremos tempo predominantemente binário simples, Allegretto, com possibilidades de alternâncias a quaternário composto Andante mais lá para o fim do dia. Verificar-se-à uma frente de síncopas com a direcção NNE e a possibilidade de acentuações nos tempos fracos. Condições favoráveis à ocorrência de semifusas.
Acontece na próxima segunda-feira uma Conferência a qual não podia deixar de divulgar neste espaço, visto tratar sobre a prática do machete no século XIX.
Terá como orador o Dr. Manuel Morais, conceituado musicólogo, que nos últimos anos tem se debruçado num estudo sobre os machetes madeirenses, com maior foco no machete de Braga (braguinha), devido em grande parte ao ressurgimento de manuscritos com música dedicada ao mesmo, que se achavam inexistentes. De verdade, o machete foi um dos mais importantes instrumentos da prática musical na Madeira no séc. XIX.
Eu próprio ficarei encarregue do pequeno momento musical que servirá de abertura desta sessão. Optei por escolher duas peças de um destes últimos documentos históricos (provavelmente o mais diversificado a nível de conteúdo musical até agora conhecido). Apresentarei, assim, uma Waltz do Club Funchalence e o Himno Constitucional de 1820/Portuguez.
Com organização conjunta do G.C.E.A. e C.E.H.A., tem lugar esta conferência no edifício deste último, à Rua das Mercês, n.º8 (Funchal - Madeira), às 18h de 29 de Março de 2010.
E para terminar esta série de mapas de acordes, como havia prometido, deixo aqui o da Viola de Arame (Madeira).
Devo dizer que este instrumento, dos três que temos na Madeira, é o que mais me cativa, pela sua sonoridade.
Faz parte da família das violas portuguesas, à qual pertencem também a Beiroa (Beira Baixa), Campaniça (Alentejo), Braguesa (Minho), Amarantina (Douro Litoral), Toeira (Beira Litoral), e Violas da Terra (Terceira e S.Miguel - Açores).
De 5 ordens, tradicionalmente é armada com 9 cordas (4 ordens duplas e uma simples). Facto curioso é a corda singela ser a 2ª ordem, algo que tem suscitado muitas questões do seu porquê. O certo é que nota-se algum desequilíbrio sonoro em relação às restantes.
Por isto, nas últimas encomendas feitas ao Mestre Carlos Jorge, temos tido a preocupação de pedir para que já tenha as 10 cordas.
A sua afinação é a seguinte: D4 (unissono), B3 (unissono), G3 (oitavado), D3 (oitavado), G2 (oitavado).
Dos três cordofones de mão tradicionais madeirenses, o Rajão, é sem dúvida o mais peculiar. E também único em território português, sendo apenas praticado nesta região insular.
É montado com 5 ordens, tendo a seguinte afinação: D3, G3, C3, E3, A3.
Usualmente nesta família de instrumentos a afinação segue uma ordem, do agudo para o grave - da 1ª para a última corda), o que não se verifica neste caso (sendo a mais grave a terceira corda). Diz-se de afinação reentrante.
Querendo também destacar a prática deste machete, faço aqui duas referências musicais, que poderão ser encontradas em discografia madeirense: Santa Maria XVIII (Terras de Vera Cruz - Vítor Sardinha); Rajão (Foram-se os Homens ao Mar - Banda d'Além).
Como prometido, aqui fica o mapa de acordes para este instrumento.
Foi lançado na passada 2.ª feira, no Centro de Estudos de História do Atlântico (Funchal), mais um valioso instrumento para a divulgação e manutenção da prática do nosso machete (braguinha). Trata-se de uma edição bilingue em CR-ROM+Áudio. Segue uma sinopse:
“O Machete Madeirense no Séc. XIX” é o 4.º volume do projecto Colecção Madeira Música. Nos três primeiros números foram recuperadas obras de autores madeirenses de domínios musicais diversos: desde as sinfonias religiosas tocadas nas cerimónias sacras, passando pelas obras orquestrais dos bailes oitocentistas do Funchal, até à música para piano composta na Madeira entre 1810 e 1955.
Este 4.º volume é uma edição especial por vários motivos, destacando-se aqui três. Primeiro, conta com a Investigação Histórica e a Autoria Principal do Dr. Manuel Morais, especialista português no domínio dos cordofones de mão, que assim vem enriquecer e contribuir com os seus conhecimentos esta Colecção. Segundo, o repertório musical aqui divulgado é extremamente raro, sendo a sua recuperação não apenas um contributo para a História da Música na Madeira, mas também para a História Universal da Música. Terceiro, nas gravações deste CD participam alguns alunos do Gabinete Coordenador de Educação Artística de grande talento, os quais se têm dedicado ao Machete com grande empenho e dedicação, aliando-se assim o passado musical à nossa juventude, num elo entre gerações que é essencial realizar na nossa causa da conservação do património musical madeirense e da identidade regional. Na parte de investigação e autoria de textos, este quarto volume contou com o apoio do Centro de Estudos de História do Atlântico, na pessoa do insigne Professor Doutor Alberto Vieira e, na pesquisa iconográfica, contou com a colaboração da Associação Musical e Cultural Xarabanda, através do seu presidente Rui Camacho.
Neste quarto volume, é possível:
Ouvir doze peças para machete madeirenses, compostas no século XIX;
Visualizar e imprimir as partituras, numa edição moderna, das músicas gravadas nesta publicação;
Conhecer o contexto social da prática do machete no século XIX;
Saber alguns dados biográficos de três importantes compositores para machete: Cândido Drumond de Vasconcelos, Manuel Monteiro Cabral e António José Barbosa.